sexta-feira, 20 de março de 2026

Você está usando corretamente as Classes IFC no seu modelo BIM?

Em muitos projetos, a modelagem avança, o nível de detalhe aumenta… mas um ponto essencial ainda é negligenciado: a correta utilização das Classes IFC nos elementos construtivos.

Mais do que uma simples “classificação”, as Classes IFC no padrão buildingSMART definem a natureza dos elementos dentro dos modelos. Um objeto não é apenas uma geometria — ele precisa representar corretamente o que ele é no contexto da construção.

Quando um elemento é classificado de forma inadequada — por exemplo, uma viga modelada como IfcBuildingElementProxy em vez de IfcBeam— diversos problemas podem surgir:

- Falhas na extração de quantitativos;
- Inconsistências em processos de compatibilização;
- Dificuldades na automação de verificações;
- Perda de confiabilidade nas análises do modelo;
- Comprometimento da interoperabilidade entre softwares.

No exemplo abaixo, as vigas foram exportadas como IfcBuildingElementProxy, portanto não possuem os Conjuntos de Propriedades (Property Sets), nem os de Quantidades (Quantity Sets) esperados para este elemento construtivo.




A correta definição das Classes IFC impacta diretamente a qualidade da informação e a eficiência dos fluxos Open BIM.

Em processos de coordenação e auditoria, essa padronização permite:

- Melhor organização e leitura do modelo;
- Regras de verificação mais assertivas;
- Integração consistente entre diferentes disciplinas;
- Uso eficiente de ferramentas de análise e validação.

Além disso, o uso adequado das Classes IFC é fundamental para atender requisitos normativos, contratos BIM e especificações técnicas — especialmente em ambientes que exigem alto nível de controle da informação.

Se o seu modelo ainda depende de soluções genéricas como IfcBuildingElementProxy, talvez seja o momento de revisar seus processos.
Modelar corretamente não é apenas desenhar bem — é estruturar a informação com precisão.

Quer garantir que seus modelos BIM estejam realmente preparados para fluxos Open BIM?

Tenho apoiado profissionais e empresas a evoluírem na auditoria e padronização de modelos IFC, com foco em qualidade da informação, interoperabilidade e confiabilidade dos dados.

Me chame no WhatsApp (41) 99579-2149 para entender como aplicar isso nos seus projetos.

Ou comente “IFC” que eu te envio mais detalhes sobre o treinamento e consultoria.

sábado, 14 de março de 2026

OpenBIM Standards: a base para uma Coordenação BIM eficiente


A coordenação de projetos em BIM depende de um fator fundamental: a capacidade de diferentes equipes, softwares e disciplinas trabalharem de forma integrada.

É nesse contexto que entram os OpenBIM Standards, desenvolvidos e promovidos pela buildingSMART International. Esses padrões garantem que as informações do modelo possam ser compartilhadas, verificadas e utilizadas ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento, independentemente do software utilizado.

Mais do que um conceito, o OpenBIM representa uma estratégia para garantir interoperabilidade, transparência e longevidade dos dados do projeto.

O que são os OpenBIM Standards?

Os principais padrões OpenBIM incluem:

IFC – Industry Foundation Classes

O IFC  é o principal formato aberto para troca de modelos BIM. Ele permite que diferentes plataformas troquem informações de forma estruturada, preservando dados geométricos e propriedades dos elementos.

BCF – BIM Collaboration Format

O BCF foi desenvolvido para facilitar a comunicação entre as equipes de projeto, registrando problemas, comentários e solicitações diretamente vinculados aos elementos do modelo.

IDS – Information Delivery Specification

O IDS é um padrão mais recente que permite definir requisitos de informação para modelos IFC, facilitando processos de auditoria e validação automática dos dados.

Por que esses padrões são essenciais na Coordenação BIM?

Na prática da coordenação de projetos, diferentes disciplinas — arquitetura, estrutura, instalações — são frequentemente desenvolvidas em softwares distintos.

Sem padrões abertos, surgem problemas como:

Perda de informações durante a troca de arquivos;

Incompatibilidades entre modelos;

Dificuldade de rastrear erros e interferências;

Dependência de um único software.

Os padrões OpenBIM resolvem essas questões ao estabelecer regras comuns para estruturação e troca de dados.

Isso permite que modelos sejam integrados em processos como:

Coordenação interdisciplinar;

Detecção de interferências (clash detection);

Auditoria de informações;

Validação de requisitos do projeto.


OpenBIM e a qualidade da informação

Um modelo BIM não é apenas geometria. Ele também contém informações essenciais para planejamento, orçamento, execução e operação da edificação.

Quando os padrões OpenBIM são aplicados corretamente, torna-se possível:

Garantir consistência das propriedades dos elementos;

Validar parâmetros obrigatórios;

Auditar modelos automaticamente;

Estruturar fluxos de coordenação mais confiáveis.

Esses processos são cada vez mais apoiados por ferramentas de análise de modelos IFC, como o Bonsai BIM (baseado no Blender) Solibri, BIMCollab Zoom, entre outros, que permitem verificar dados, propriedades e conformidade dos modelos com requisitos previamente definidos.


OpenBIM como estratégia de longo prazo

A adoção de OpenBIM não é apenas uma escolha técnica — é uma decisão estratégica para garantir a sustentabilidade dos dados do projeto.

Ao utilizar padrões abertos:

Os dados do projeto permanecem acessíveis ao longo do tempo;

Evita-se a dependência de plataformas proprietárias;

Facilita-se a colaboração entre diferentes empresas;

Aumenta-se a confiabilidade das informações do modelo.

Por isso, cada vez mais organizações estão estruturando seus Planos de Execução BIM (BEP) com base nesses padrões.


Conclusão

A coordenação de projetos em BIM depende diretamente da qualidade e da interoperabilidade das informações.

Os OpenBIM Standards fornecem a base necessária para que diferentes equipes possam colaborar de forma eficiente, garantindo que os modelos digitais sejam realmente úteis ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento.

Mais do que uma tendência, o OpenBIM representa um caminho essencial para projetos mais integrados, transparentes e confiáveis.


Você já utiliza padrões OpenBIM na coordenação de seus projetos?
Compartilhe sua experiência ou opinião nos comentários.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Por que muitos modelos BIM não entregam o valor que deveriam?

Em diversos projetos que analiso, encontro problemas recorrentes nos modelos:

• Parâmetros incompletos ou inconsistentes;

• Ausência de padronização das informações;

• Dificuldade para extrair quantitativos confiáveis;

• Problemas de interoperabilidade entre softwares

• Conflitos entre disciplinas identificados tardiamente.

Na prática, isso significa retrabalho, perda de tempo e decisões baseadas em informações pouco confiáveis.

É justamente nesse ponto que entra a Consultoria BIM.

A consultoria permite estruturar processos, validar modelos e garantir que as informações estejam alinhadas com os objetivos do projeto — seja para coordenação, compatibilização, extração de quantitativos ou gestão da informação.

Em fluxos OpenBIM, ferramentas como Bonsai (BlenderBIM), BIMcollab Zoom e análise de arquivos IFC permitem realizar verificações técnicas profundas nos modelos.

O objetivo não é apenas identificar erros, mas melhorar a qualidade da informação e a eficiência do processo BIM.

Na sua experiência, qual é o maior desafio ao trabalhar com modelos BIM hoje?





terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A importância da Auditoria de Modelos BIM em OpenBIM: IFC, BCF e IDS

Você confia plenamente no modelo digital utilizado para orçamentos, compatibilização e tomada de decisão?

No contexto OpenBIM, trabalhamos com padrões abertos que estruturam a informação do projeto. Mas utilizar padrões não significa, automaticamente, garantir qualidade.

Uma auditoria eficaz envolve principalmente três pilares:


1 - Industry Foundation Classes (IFC) – Estrutura e dados do modelo


O IFC é o padrão aberto que organiza:

- Geometria

- Estrutura espacial (Site, Building, Storey)

- Classes dos elementos

- Property Sets e atributos

- Auditar o IFC significa verificar:

✔ Se os elementos estão corretamente classificados

 ✔ Se os parâmetros obrigatórios foram preenchidos

 ✔ Se a estrutura espacial está coerente

 ✔ Se o modelo atende aos requisitos definidos no BEP

Sem essa validação, quantitativos, análises e compatibilizações podem ser comprometidos.


 2 - BIM Collaboration Format (BCF) – Comunicação estruturada de inconsistências


O BCF não armazena o modelo, mas registra:

- Interferências

- Não conformidades

- Solicitações de correção

- Comentários técnicos vinculados ao modelo

Ele garante rastreabilidade e organização na comunicação entre disciplinas, evitando trocas informais e perda de informações críticas.

Na auditoria, o BCF transforma problemas identificados em ações estruturadas.


3 - Information Delivery Specification (IDS) – Requisitos verificáveis


O IDS define, de forma estruturada e verificável:

- Quais informações cada elemento deve conter

- Em qual fase

- Para qual finalidade

Ou seja, o IDS traduz requisitos contratuais e técnicos em regras objetivas de validação.

Durante a auditoria, o IDS permite checagens automáticas de conformidade, reduzindo subjetividade e aumentando segurança técnica.


Auditoria OpenBIM é governança da informação


Quando IFC estrutura o modelo, BCF organiza a comunicação, e IDS define regras claras de validação, temos um processo robusto de controle de qualidade.

Sem auditoria, o modelo pode conter:

- Dados incompletos

- Classificações incorretas

- Informações incompatíveis com orçamento e planejamento

- Riscos contratuais

Auditar modelos BIM não é apenas uma atividade técnica — é uma prática de gestão de risco e maturidade digital.

Organizações que estruturam auditoria com IFC + BCF + IDS elevam o nível de confiabilidade dos seus projetos e reduzem significativamente retrabalho e incertezas.

Se sua equipe precisa estruturar esse processo de forma técnica e estratégica, posso apoiar com consultoria e treinamentos especializados em Auditoria OpenBIM.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Bonsai v0.8.4

Nova versão do Bonsai! 

Foi lançado o Bonsai v0.8.4, com 1111 novos recursos e melhorias.

Os principais novos recursos incluem:

 Suporte ao Blender 5;

https://www.blender.org/download

 Site do IfcTester: site para criação e edição de arquivos IDS, integrada com o Bonsai.


✅ Suporte do RocksDB para gerenciamento de modelos IFC de grande porte.

✅ Melhorias internas na compilação.

O IfcOpenShell agora pode ser usado em aplicativos web através do Pyodide, facilitando a construção de ferramentas web para o IFC.


🔗 Baixe agora e experimente: https://extensions.blender.org/add-ons/bonsai/



O que achou dessas novidades? Comente abaixo!

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Protocolo BIM PR






 A SEIL (Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística) disponibilizou para Consulta Pública o Protocolo BIM PR. 


Seguindo as diretrizes gerais do Protocolo BIM PR, as demais instituições do Paraná e a Prefeitura Municipal de Curitiba, também estão disponibilizando seus Cadernos BIM para consulta.

Segue o link para acesso ao Protocolo BIM PR e aos Cadernos BIM, que ficarão disponíveis para consulta até 08/12/2025.



segunda-feira, 21 de julho de 2025

Como Inserir Quantidades no IFC com o Bonsai (BlenderBIM) e Extrair os Dados de Forma Eficiente

No contexto da metodologia BIM, a gestão de quantitativos é uma etapa essencial para orçamentação, planejamento e auditoria de modelos. E quando falamos em fluxos OpenBIM, a boa prática é garantir que essas informações estejam incorporadas diretamente ao arquivo IFC. Uma ferramenta gratuita e poderosa que permite essa inserção e extração de dados de forma direta é o Bonsai (BlenderBIM). Neste artigo, explico como você pode utilizar essa plataforma para adicionar quantidades ao seu modelo IFC e, em seguida, extrair esses dados de maneira estruturada.


 🧱 Inserindo Quantidades no Modelo IFC


Dentro do Bonsai, você pode acessar qualquer objeto do modelo (como paredes, lajes, pilares, etc.) e visualizar seus dados IFC. Caso o modelo não tenha as quantidades preenchidas, você pode:

✅ Criar um novo conjunto de propriedades;

✅ Inserir manualmente propriedades como Área, Volume e Comprimento;

✅ Mas, recomendo utilizar o recurso Perform Quantity Take-off do Bonsai, que calcula valores com base na geometria real dos objetos.


Essa flexibilidade permite enriquecer o modelo com dados fundamentais para orçamentistas, engenheiros e coordenadores.


 📊 Extraindo os Quantitativos do Modelo IFC


Após inserir ou revisar as quantidades, o próprio Bonsai permite a exportação direta dos dados para uma planilha. É possível selecionar quais informações serão extraídas, como:


- Nome do pavimento (IfcBuildingStorey);

- Tipo de elemento (IfcClass);

- Nome do objeto (IfcName);

- Propriedades como Área e Volume.


Esses dados são organizados em um arquivo CSV ou XLSX, facilitando o uso em planilhas de orçamento, Power BI ou outros sistemas.


 🚀 Por que fazer isso no próprio IFC?


✅ Porque torna o modelo mais rico em informações, promovendo interoperabilidade com qualquer software que leia IFC.

✅ Porque facilita auditorias, análises e validações.

✅ Porque ajuda a garantir que os dados estejam centralizados, evitando duplicidades entre modelo e planilhas externas.


Se você trabalha com orçamentos, compatibilização ou auditoria de modelos BIM, vale a pena investir um tempo para dominar esse processo no Bonsai. Além de ser uma ferramenta gratuita, ela segue os princípios do OpenBIM e permite total controle sobre os dados do seu modelo.


🎥 Publiquei um vídeo, com um passo a passo visual de como realizar esse procedimento. Veja abaixo:





quinta-feira, 17 de julho de 2025

Bonsai v0.8.3

Nova versão do Bonsai! 


Foi lançado o Bonsai v0.8.3, com 770 novos recursos e melhorias que vão facilitar ainda mais o seu trabalho no ambiente BIM! Entre os destaques, temos suporte ao Blender 4.5, reformulação do bSDD com múltiplos dicionários, suporte a arrays para aberturas e elementos espaciais, e muito mais!

Essas atualizações fazem o Bonsai ainda mais robusto e fácil de usar, além de trazer uma série de melhorias na integração com o IfcSQL e com a interface do IfcApplications.


Os principais novos recursos incluem:


 Suporte ao Blender 4.5.

 O suporte ao bSDD foi reformulado. Agora, o bSDD suporta múltiplos dicionários, alternância entre dicionários de teste e de pré-visualização, e o uso de dicionários tanto em classificações quanto em propriedades, com buscas mais sofisticadas e navegação baseada em grupos de propriedades.

bsDD Dictionaries







 O IFC5D passou por um número significativo de pequenas melhorias que se somaram.

✅ Aberturas e elementos espaciais agora têm suporte a arrays.

 Itens de representação de topologia agora podem ser editados novamente.

 Suporte ao Python 3.9 para todas as utilidades.

✅ O IfcSQL está significativamente mais robusto.

 O IfcApplications agora pode ser gerenciado na interface. Organizações, pessoas e aplicativos podem ser mesclados ou excluídos.

 Uma nova interface especial para editar genericamente qualquer atributo apontando para um objeto.


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sábado, 28 de junho de 2025

Análise de Requisitos com IDS

Entregar modelos IFC com qualidade e consistência é um dos grandes desafios no fluxo Open BIM. Não basta apenas modelar — é fundamental garantir que os arquivos atendam aos requisitos de informação definidos para cada fase do projeto.

Nesse contexto, o uso do IDS, se torna uma ferramenta indispensável para formalizar e automatizar essa verificação.

Neste artigo, vou compartilhar como estruturar e aplicar essas regras no Bonsai (BlenderBIM), contribuindo para um fluxo Open BIM mais confiável e padronizado.




O que é um IDS?


IDS (Information Delivery Specification) é um formato padronizado (XML) que descreve os requisitos de informação que um modelo IFC deve atender.

Por exemplo: quais propriedades devem existir em um determinado tipo de elemento, quais classes IFC devem ser utilizadas, quais valores são esperados para certos campos.

É um recurso alinhado às boas práticas de governança da informação em projetos BIM e totalmente compatível com normas como a ISO 19650 e a NBR 15965.


Por que usar IDS com Bonsai ?


✔ Integração nativa — você pode carregar e aplicar IDS diretamente no Bonsai.

 ✔ Não depende de ferramentas proprietárias. 

✔ Garante a rastreabilidade das informações entregues. 

✔ Facilita a comunicação entre projetistas, coordenadores e contratantes. 

✔ Automatiza a verificação, evitando checagens manuais demoradas e sujeitas a erro.


Como estruturar um IDS


Antes de criar um IDS, é importante mapear: 

✅ Quais classes IFC devem estar no modelo. 

✅ Quais propriedades são obrigatórias por tipo de elemento. 

✅ Quais valores são esperados (listas, domínios, formatos). 

✅ Qual nível de detalhe e informação é requerido em cada etapa.


Aplicando IDS no Bonsai


No Bonsai, o fluxo é muito simples: 

1️⃣ Carregue seu arquivo IFC. 

2️⃣ Importe o IDS que você deseja aplicar. 

3️⃣ Execute a verificação. 

4️⃣ Analise os resultados — você verá quais elementos não atendem aos requisitos. 

5️⃣ Gere relatórios para documentação e acompanhamento.


Boas práticas


🔸 Documente seus IDS dentro do BEP (Plano de Execução BIM). 

🔸 Atualize conforme o projeto evolui. 

🔸 Compartilhe os IDS com todos os stakeholders. 

🔸 Sempre execute a verificação antes das entregas oficiais — um pré-check é essencial para evitar retrabalhos.


Conclusão


A Análise de Requisitos com IDS fortalece a governança da informação nos projetos e torna o fluxo Open BIM mais profissional e confiável.

Ferramentas como o Bonsai (BlenderBIM) tornam isso acessível a todos os profissionais, sem depender de softwares pagos ou fechados.

Você já está usando IDS nos seus projetos? Compartilhe sua experiência nos comentários! 🚀

Veja no vídeo abaixo, o IDS na prática:







sexta-feira, 25 de abril de 2025

Bonsai (BlenderBIM) - Clash Detection - BCF

Neste vídeo, vamos mostrar como realizar Análises de Interferências (Clash Detection) de modelos IFC no Bonsai (BlenderBIM). 

E também, como visualizar os resultados das análises, e exportar os apontamentos no formato BCF para visualização em outros softwares. 



quarta-feira, 16 de abril de 2025

Padrões OpenBIM

No cenário atual da construção digital, a interoperabilidade entre diferentes plataformas e disciplinas é fundamental para garantir a eficiência, a transparência e a colaboração ao longo do ciclo de vida dos projetos. É nesse contexto que os padrões Open BIM, promovidos pela buildingSMART International, ganham destaque. Entre os mais relevantes estão o IFC (Industry Foundation Classes), o BCF (BIM Collaboration Format) e o IDS (Information Delivery Specification).

IFC – O alicerce da interoperabilidade

O IFC é o padrão aberto de troca de dados mais amplamente adotado para representação de modelos BIM. Desenvolvido e mantido pela buildingSMART, ele permite a troca de informações estruturadas entre diferentes softwares, assegurando que dados essenciais – como geometrias, propriedades, relações espaciais e classificações – sejam interpretados de forma consistente por todos os envolvidos no projeto.



Mais do que apenas um formato de arquivo, o IFC é uma linguagem comum para o setor AECO (Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação), permitindo que informações sejam reutilizadas em diversas etapas do ciclo de vida do ativo, sem aprisionamento a uma única plataforma.

Análise das classes IFC no Bonsai (BlenderBIM).









BCF – Comunicação sem ruídos

O BCF (BIM Collaboration Format) é um padrão para comunicação de problemas, solicitações e observações relacionados ao modelo BIM. Ele não carrega geometrias completas, mas sim referências aos elementos do modelo (por meio de IDs do IFC), além de capturas de tela, comentários e pontos de vista.


Exemplo de fluxos com arquivos BCF









Essa abordagem facilita a gestão de conflitos e revisões, promovendo uma comunicação clara e rastreável entre projetistas, coordenadores e stakeholders, independentemente do software utilizado.


Apontamentos de checagem de interferências em BCF.








IDS – Especificação da entrega da informação

O mais recente entre os três, o IDS (Information Delivery Specification) define quais informações são esperadas em um modelo IFC, estabelecendo critérios verificáveis que orientam tanto a modelagem quanto a validação dos arquivos.


Exemplo de fluxos com arquivos IDS







Ao permitir a criação de requisitos de informação de forma estruturada e legível por máquina, o IDS contribui para melhorar a qualidade dos modelos, reduzir retrabalhos e garantir que os dados entregues estejam de acordo com os objetivos do projeto e com os usos definidos no Plano de Execução BIM (BEP).


Resultado da análise de requisitos com  IDS.












Open BIM na prática

A aplicação combinada de IFC, BCF e IDS representa um passo importante rumo a fluxos de trabalho verdadeiramente Open BIM, onde o foco está no valor da informação e na liberdade de escolha de ferramentas.

Com o apoio da buildingSMART, esses padrões vêm sendo continuamente aprimorados e já contam com implementações robustas em softwares como Revit, Archicad, Bonsai (BlenderBIM), Solibri, BIMcollab, entre outros.


OpenBIM Workflow













🔗 Quer saber mais? Acesse: www.buildingsmart.org

📢 Vamos continuar essa conversa? Compartilhe nos comentários como você tem utilizado os padrões Open BIM nos seus projetos!

sexta-feira, 7 de março de 2025

Auditoria de Modelos IFC: Qualidade e Confiabilidade no BIM


A adoção do Building Information Modeling (BIM) trouxe ganhos significativos para a indústria da construção, permitindo maior colaboração e eficiência nos projetos. No entanto, para garantir a qualidade e confiabilidade dos modelos BIM, é essencial realizar a auditoria dos arquivos IFC (Industry Foundation Classes).

Por que auditar modelos IFC?

Os arquivos IFC são a base da interoperabilidade no BIM, permitindo a troca de informações entre diferentes softwares e equipes. No entanto, problemas comuns podem comprometer essa comunicação, como:

Inconsistências geométricas (objetos mal posicionados ou sobrepostos);
Falta de informações essenciais (classificação, propriedades e parâmetros ausentes);
Divergências entre disciplinas (modelo arquitetônico incompatível com o estrutural, por exemplo);
Excesso de informações desnecessárias, que deixam os arquivos pesados e dificultam a análise.

Auditar os modelos IFC evita erros que impactam diretamente o orçamento, o cronograma e a execução da obra.

Como realizar uma auditoria eficiente?

A auditoria de modelos IFC pode ser dividida em algumas etapas fundamentais:

🔍 1. Verificação Geral: Identifique possíveis erros na estrutura do arquivo, como elementos não classificados corretamente ou propriedades inconsistentes.

🎨 2. Verificação Visual: Utilize ferramentas como o Bonsai (BlenderBIM) e BIMcollab Zoom para inspecionar a geometria do modelo e identificar falhas visuais.

3. Verificação de Interferências (Clash Detection): Avalie se há conflitos entre disciplinas, garantindo que os elementos estejam corretamente posicionados.

📊 4. Verificação das Informações: Utilize um arquivo IDS (Information Delivery Specification) para validar se os objetos do IFC possuem as propriedades exigidas pelo projeto ou pelas normas técnicas.

Ferramentas para Auditoria de IFC

Atualmente, há diversas ferramentas que auxiliam no processo de auditoria, como:

🛠 Bonsai (BlenderBIM) – Para análise, edição e validação de modelos IFC.
🛠 BIMcollab Zoom – Para Clash Detection e análise de propriedades.
🛠 Solibri – Para validação de regras e conformidade normativa.
🛠 Navisworks – Para verificação de interferências e simulação de construção 4D.

Conclusão

A auditoria de modelos IFC é um processo essencial para garantir que as informações estejam corretas, assegurando um fluxo de trabalho BIM eficiente e confiável. Ao utilizar as ferramentas adequadas e um processo estruturado, evitamos retrabalhos, reduzimos riscos e aumentamos a qualidade dos projetos.

E você, já realiza auditoria nos seus modelos IFC? Quais ferramentas utiliza? Compartilhe sua experiência nos comentários! 👇




sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

PropertySets

PropertySets são conjuntos de propriedades, seu uso é essencial no IFC, para organizar e agrupar propriedades associadas a objetos dos modelos BIM, estruturando informações como resistência de materiais, coeficientes térmicos e acabamentos. Esses conjuntos podem ser atribuídos a objetos individuais (IfcObject) ou tipos (IfcTypeObject), garantindo consistência e eficiência na gestão de dados.

As PropertySets podem ser de dois tipos:


- Predefinidas: são padronizadas pela buildingSMART, e seguem convenções de nomenclatura, como "Pset_WallCommon" para paredes ou "Pset_DoorCommon" para portas. Elas fornecem atributos padronizados para os diferentes tipos de elementos construtivos, garantindo a interoperabilidade entre diversas ferramentas BIM.


Exemplo de Property Set predefinida de uma parede: Pset_WallCommon





- Personalizadas: são criadas pelos usuários para atender a requisitos específicos de um projeto, permitindo incluir informações adicionais que não estão cobertas pelos conjuntos predefinidos. Isso possibilita maior flexibilidade na gestão de dados e na adequação às necessidades específicas de um empreendimento.


Exemplo de Property Set personalizada de uma parede: JC-BIM










O uso adequado das PropertySets melhora a interoperabilidade entre plataformas BIM, assegurando que as informações sejam transmitidas de forma padronizada ao longo do ciclo de vida da construção.

Com o Bonsai (BlenderBIM), é possível validar e corrigir as informações dos PropertySets nos arquivos IFC, assegurando que os dados estejam estruturados corretamente e atendam aos requisitos do projeto. Isso permite identificar inconsistências, padronizar nomenclaturas e garantir a conformidade com normas e processos BIM.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Bonsai v0.8.1: Mais rápido, poderoso e com quase 2.000 melhorias!

 O Bonsai v0.8.1 chegou com 1.902 novas funcionalidades e correções, consolidando-se como uma das ferramentas Open BIM mais avançadas e gratuitas para criação e documentação de modelos IFC conforme os padrões ISO.



Principais destaques:

✅ CGAL híbrido como padrão – Melhor estabilidade e carregamento até 2x mais rápido. 

✅ Ferramenta de desenho aprimorada – Desenho de paredes e lajes mais intuitivo, com snapping avançado e edição mais fluida. 

✅ Criação direta de elementos IFC – Agora é possível adicionar elementos IFC sem precisar convertê-los a partir de objetos do Blender. 

✅ Modo de edição de itens – Suporte a geometrias paramétricas complexas, operações booleanas e organização avançada de camadas e materiais. 

✅ Melhoria na ferramenta de medição – Medidas persistentes, suporte a múltiplos pontos e diferentes modos de medição. 

✅ Visualização de análise estrutural – Agora é possível visualizar cargas e reações estruturais diretamente no modelo. 

✅ Suporte a WASM e ARM64 – IfcOpenShell agora é compilado para WebAssembly e ARM64, tornando-se mais rápido e versátil.

Essa versão também traz melhorias em orçamentos e recursos, suporte aprimorado para perfis compostos e uma base mais sólida para futuras inovações.

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segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Exportação e Importação de Propriedades no Bonsai (BlenderBIM)

 O Bonsai, é um add-on de código aberto, que oferece funcionalidades robustas para a manipulação de modelos IFC no ambiente do Blender. Um dos recursos mais valorizados pelos profissionais de BIM é a capacidade de exportar e importar as propriedades dos objetos, permitindo uma gestão precisa de dados ao longo do ciclo de vida do projeto. Este artigo explora como realizar esses processos no Bonsai, ressaltando as etapas e vantagens práticas.

 

1. Entendendo as Propriedades no Contexto do IFC

As propriedades são informações associadas aos elementos BIM, como descrições, áreas, volumes e identificadores específicos de cada disciplina. Nos arquivos IFC, essas propriedades estão organizadas em conjuntos (Property Sets) e classificações (Classifications). O controle dessas propriedades é essencial para a interoperabilidade entre plataformas e para a conformidade com padrões e requisitos do projeto.









Filtro de seleção para os objetos da classe IfcWall.

 

2. Exportando Propriedades: Preparação para Análise Externa

Para exportar propriedades no Bonsai, siga estes passos básicos:

Seleção de Objetos e Propriedades: Primeiramente, selecione os objetos cujo conjunto de propriedades você deseja exportar. Isso pode ser feito manualmente ou por filtros específicos que isolam propriedades de determinados tipos de objetos (como paredes ou pilares).

Definição do Formato de Exportação: O Bonsai permite exportar dados para vários formatos, incluindo CSV e XLSX. Esses formatos são ideais para análises externas e criação de relatórios.

Exportação: A exportação pode ser realizada por scripts em Python, onde você personaliza as propriedades a serem incluídas, ou diretamente pelo menu de exportação no Bonsai. A configuração dos parâmetros garante que somente as informações relevantes sejam exportadas, otimizando a análise de dados.


Exemplo de configuração para exportação de propriedades.

 

4. Análise dos resultados

 

O Bonsai oferece diversas ferramentas para analisar as informações do modelo exportadas, possibilitando uma auditoria completa e eficiente. Alguns dos principais recursos incluem:

Análises Visuais com Colour by Property: Esta funcionalidade permite aplicar uma coloração personalizada aos elementos do modelo com base em suas propriedades. Isso facilita a identificação visual de parâmetros específicos diretamente no modelo IFC, como a verificação da propriedade EOI_DESCRIÇÃO no Property Set JC-BIM. Com isso, é possível observar se os elementos estão preenchidos corretamente ou precisam de correções.


Exemplo de análise da propriedade EOI_DESCRIÇÃO do Property Set JC-BIM.

 

Planilhas de Auditoria: As planilhas geradas durante a exportação servem como uma base de dados para verificação minuciosa das propriedades do modelo. Essas planilhas podem ser abertas e analisadas em softwares como Excel ou Google Sheets, permitindo uma visão tabular das informações e facilitando a identificação de lacunas ou inconsistências nas propriedades exportadas.


Exemplo de planilha exportada para análise das propriedades dos modelos IFC.

 

Essas ferramentas combinadas, tornam o Bonsai uma plataforma poderosa para garantir que os dados do modelo estejam de acordo com os requisitos do projeto, proporcionando uma análise que pode ser tanto visual quanto quantitativa.

 

4. Importação de Propriedades: Atualizando o Modelo BIM

A importação de propriedades é igualmente essencial, principalmente quando há atualizações de informações externas que precisam ser refletidas no modelo BIM. No Bonsai, esse processo permite:

 

Sincronização de Dados: A importação atualiza dados sem necessidade de alterações manuais, reduzindo o risco de erros.

Métodos de Importação: A importação pode ser feita a partir de arquivos XLSX ou CSV previamente organizados. O Bonsai reconhece as propriedades e as aplica aos elementos correspondentes, desde que a estrutura dos dados esteja bem definida e os identificadores corretos sejam usados para cada elemento.

Automatização com Python: Para processos recorrentes, scripts em Python permitem configurar importações personalizadas. Isso é especialmente útil para auditorias de propriedades, onde determinados valores devem ser atualizados periodicamente.










Exemplo de planilha corrigida, com a inserção das propriedades, para importação no modelo IFC através do Bonsai.









Nova análise visual, com o recurso Colour by Property, após a importação das propriedades através das planilhas.

 

5. Vantagens da Exportação e Importação de Propriedades no Bonsai

A exportação e importação de propriedades agilizam processos complexos, como:

 

- Auditoria e Verificação de Qualidade: Com dados exportados, é possível realizar auditorias detalhadas em ferramentas externas, identificando e corrigindo inconsistências.

- Interoperabilidade entre Softwares: A compatibilidade com formatos como CSV e XLSX permite que o Bonsai funcione com outras plataformas, integrando fluxos de trabalho de análise de dados e relatórios.

- Automação e Personalização: Ao utilizar scripts Python, os profissionais podem desenvolver soluções sob medida para as necessidades do projeto, facilitando a padronização de informações e o cumprimento de requisitos.

 








Exemplo de script em Python para verificação e extração de propriedades.

Conclusão

A exportação e importação de propriedades no Bonsai são processos fundamentais para manter a precisão e consistência dos dados BIM. Eles permitem que informações cruciais sejam verificadas, atualizadas e compartilhadas com facilidade, promovendo uma gestão eficiente ao longo do ciclo de vida do projeto. Com a integração de scripts e a capacidade de manipular propriedades diretamente no Blender, o Bonsai se consolida como uma ferramenta poderosa no ecossistema BIM.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

A Importância da Auditoria de Modelos BIM em IFC

 A auditoria de modelos BIM em IFC, é essencial para garantir a qualidade e a interoperabilidade entre diferentes plataformas de software no setor da construção civil. O formato IFC permite a troca eficiente de dados entre softwares, mas, sem a correta validação destes modelos, problemas como inconsistências, perda de informações e incompatibilidades podem ocorrer.


Auditar esses modelos de forma correta, assegura: -Interoperabilidade: Garante que os dados sejam corretamente interpretados entre diferentes ferramentas.

- Qualidade e Consistência: Identifica erros, informações faltantes ou divergências no modelo.

- Conformidade: Verifica se o modelo está alinhado com normas e requisitos de projeto.

- Colaboração Eficiente: Facilita o trabalho entre equipes de disciplinas diferentes.

- Redução de Retrabalho: Identifica problemas antecipadamente, evitando atrasos e custos extras. Em resumo, a auditoria de modelos IFC melhora a comunicação, minimiza erros e otimiza os resultados finais dos projetos. Quer saber mais sobre este assunto? Acesse o link abaixo para participar do Webinar sobre Auditoria de Modelos IFC, que será realizado em parceria com a EBBIM no dia 14/10 às 20h. https://bit.ly/3NiCRqv